DO EU REAL E IDEAL AO EU FORJADO: O RACISMO E OS DESAFIOS DA CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35572/jth1xy45

Resumo

Compreender a noção do eu — definida por Carl Rogers como uma “estrutura perceptual, isto é, um conjunto organizado e mutável de percepções relativas ao próprio indivíduo” — é fundamental para a teoria da personalidade na Abordagem Centrada na Pessoa. Partindo de sua escuta clínica a autora busca compreender, a partir deste relato de experiência advindo de sua prática com pessoas negras, os impactos do racismo na construção da identidade. A partir de uma escuta sensível às vivências marcadas pelo racismo estrutural — no contexto brasileiro em que este artigo se inscreve — emergiu a percepção de que a teoria do self, conforme proposta por Carl Rogers, ao abordar a tensão entre o eu real e o eu ideal, pode ser enriquecida com a inclusão de uma terceira instância: o eu forjado. Este conceito refere-se à identidade imposta pelo olhar social do outro, que, no contexto do racismo, atribui à pessoa negra um lugar de desvalorização e estigmatização. Por meio da análise de narrativas clínicas, este trabalho propõe que, para acessar o eu real, é necessário, primeiro, romper com o eu forjado, que atua como uma camada de alienação entre o self autêntico e os ideais internalizados. A reflexão busca contribuir com práticas clínicas que reconheçam e enfrentem os efeitos do racismo na constituição da subjetividade.

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Publicado

2026-01-07