ACP BRASILEIRA EM TEMPOS NEOLIBERAIS: REFLEXÕES CRÍTICAS
DOI:
https://doi.org/10.35572/85db5f03Resumo
O presente artigo objetivou compreender o que motivou a escolha da Abordagem Centrada na Pessoa, enquanto teoria e método de atuação profissional em Psicologia, de 316 participantes que responderam a um questionário semiestruturado online. Este texto é parte da pesquisa “Quem faz a ACP no Brasil?”, que está sendo realizada por nosso grupo de pesquisa com objetivo de contribuir com informações sobre perfil, formação e atuação dos acepistas brasileiros na contemporaneidade. Para cumprir essa tarefa, começamos por um breve histórico da construção deste paradigma e da sua disseminação no Brasil. Apresentamos também uma breve explicação sobre nossa matriz de interpretação do Neoliberalismo e de seus modos de produção de subjetividades, pois consideramos importante refletir sobre os impactos dos valores neoliberais nas representações acerca da ACP. Como metodologia elegemos a Análise de Conteúdo para construir categorias de análise a partir das respostas à pergunta aberta “Por que ACP?”, presente no nosso instrumento de pesquisa. Com isso, pudemos perceber o quanto suas concepções de mundo e da própria Abordagem Centrada na Pessoa estão imersas no ideário neoliberal, operando, mesmo que involuntariamente, para reforçá-lo. Propomos, por fim, um possível caminho para atenuar esta perniciosa conjuntura: o resgate da noção de pessoa como ser inerentemente social, norteando práticas clínicas verdadeiramente emancipatórias e contra hegemônicas.