O USO METAFÓRICO DO DIAGNÓSTICO COMO RECURSO RELACIONAL: ENTRE ESCUTA, CUIDADO E POLÍTICAS DE PERTENCIMENTO
DOI:
https://doi.org/10.35572/pkzna789Resumo
Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre o uso do diagnóstico na prática clínica e institucional, compreendendo-o não como verdade objetiva, mas como linguagem relacional e construção simbólica que pode abrir ou fechar possibilidades de escuta, cuidado e pertencimento. Longe de ser apenas uma ferramenta técnica, o diagnóstico opera como discurso que comunica normas, regula acessos e molda identidades. A partir de uma abordagem teórico-reflexiva, o texto articula contribuições da Abordagem Centrada na Pessoa, da antropologia da saúde e de perspectivas críticas sobre normatividade, estigma e cultura institucional, como as de Carl Rogers, Eugene Gendlin, Mary Jane Spink, Georges Canguilhem e François Laplantine. A tendência atualizante, conceito central da Abordagem Centrada na Pessoa, é mobilizada como chave para repensar o papel do diagnóstico como linguagem de reconhecimento — e não como captura da identidade. Também se discute como determinadas formas de escuta seletiva, atravessadas por normas culturais e institucionais, podem transformar o diagnóstico em ferramenta de exclusão, reforçando desigualdades históricas e adoecimentos. Por outro lado, quando co-construído com sensibilidade, escuta ética e implicação relacional, o diagnóstico pode se tornar um recurso de reconhecimento, vínculo, garantia de direitos e pertencimento social.